domingo, 16 de janeiro de 2011

onde mora natasha romanoff

veja bem o que aconteceu quando você voltou de moscou
durante aquela chuva fina, de surpresa, e invadiu a casa pela
janela. heather podia dormir ali e gritar por causa do barulho da
vidraça. heather mantém os cabelos curtos. mary jane, como
você, mantém os cabelos longos, e nunca dormiu por aqui, mas
sempre quis que viesse, que ficasse um pouco. mary jane é
muitas vezes bonita demais. mas agora é como se mudasse a
casa, de surpresa e pela janela, para lambari, e henriqueta
lisboa com o cabelo preso molhado de musgo diz a você
igualmente vestida de negro que é uma menina selvagem. um
assombro entre a árvore e o dia, a alma e os ossos. alma em
suspiro pelo encontro do que fica sempre mais longe. anônima
e traidora, esquiva e tímida, equilibrista e feroz, é que nenhum
amor dura tanto assim. os pés enfiados no estômago, a palavra
sai dura, a boca, o silêncio disfarçado na fumaça noturna, uma
dança e o esforço: manter o corpo de pé

manoel ricardo de lima
[esse poema faz parte da série inédita onde você está]

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

carlos augusto lima,



Carlos continua com suas táticas do mínimo. São apenas dois bonitos poemas no seu mais novo livrinho: o livro da espera. Composto em prensa manual, 92 exemplares, tipografia do mestre Raul, Alpharrabio Edições, Coleção Mimo, Santo André, SP. Como conseguir um exemplar? Não sabemos. Mas verifique todos os dias a sua caixa de correio, e espere.

"e, depois, corro para a água e desapareço."


sábado, 1 de janeiro de 2011

alexandre barbalho, entre


ARQUITETURA DE POEMAS EM N.Y.

I
da janela
em frente a centenas
perfeita simetria

quem olha
de um lado a outro
por fora sem ver
por dentro

II
de uma janela a
outra
a escada de incêndio
compõe vizinhança

(vermelho ferrugem
sobre cinzas)
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entre [poemas], editora da casa, 2010