segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
sábado, 30 de novembro de 2013
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
sábado, 5 de outubro de 2013
'Cinemáticos' no Museu de Arte do Rio [MAR], com Alexandre Veras
Cinemáticos: Cinemas de Artista no Brasil
Dia 9 de outubro de 2013
O Museu de Arte do Rio, o Núcleo de Tecnologia da Imagem (N-Imagem) da Escola de Comunicação da UFRJ e a Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) apresentam o seminário Cinemáticos: Cinemas de Artista no Brasil, com coordenação do pesquisador e artista André Parente. A ação, que integra o programa MAR na Academia, é composta de debates e exibições de filmes de realizadores brasileiros contemporâneos.
A programação divide-se em catorze sessões, em que são abordadas questões que perpassam a produção fílmica em suas diversas linguagens: audiovisual, cinema marginal, cinema estrutural, cinema conceitual, cinema do corpo, cinema do dispositivo, cinema de arquivo, cinema híbrido, cinema interativo, cinema ao vivo, cine-ensaio, instruções para filmes, cinema de inversão, protocinema e transcinemas. A sincronicidade entre as experimentações dos artistas e as rupturas epistemológicas; a convergência dos meios; as transformações estéticas; e o cruzamento dos circuitos das artes plásticas e das artes da imagem em movimento são alguns dos temas debatidos.
Convidado: Alexandre Veras
Alexandre Veras (CE, 1969) foi coordenador do Alpendre-Casa de Arte, Pesquisa e Produção, onde desenvolve atividades de coordenação e curadoria de mostras, seminários, cursos, exposições, entre outros. Desde 2000 vem desenvolvendo trabalhos em documentário, vídeoarte, vídeo-dança e instalações, dentre eles: “Partida”, “Marahope 14/07” e “O Regresso de Ulisses”. Realizou o DOCTV "Vilas Volantes – o verbo contra o vento" e o longa-metragem "Linz - quando todos os acidentes acontecem".
Cinemáticos: Cinemas de Artista no Brasil
Toda quarta-feira. De 21 de agosto a 27 de novembro.
De 13h às 17h.
Auditório do MAR.
50 vagas (Distribuição de senha com uma hora de antecedência).
'Opisanie Swiata', de Veronica Stigger
Invenções do mundo
por Manoel
Ricardo de Lima*
Em Cobra Norato, Raul Bopp escreve: “Agora sim / me enfio nessa pele
de seda elástica / e saio a correr mundo”. Num outro poema, Floresta, num verso solto, escreve: “A
floresta não gosta de ser interrogada”. Mas aí mora o apontamento convulso de
Bopp: uma tarefa da arte, desde a modernidade, e agora mais do que nunca, seria
correr mundo através da profundidade animal da pele para interrogar a floresta e
tentar tocar esse rodopio técnico e estético da vida diante do horror entre o
dinheiro e a guerra. E, se estamos numa luta das imagens, é possível pensar numa
literatura mais potente que se refaça na história, com a história, no tanto que esta é constituída e carregada de
equívocos e, mais precisamente, de nonsense.
O que pode quebrar um pouco com esse último estado da crítica literária, a
publicidade, que tem seu maior exemplo nessa leva de “articulistas” contratados
por editoras para “resenharem” sobre os livros que elas mesmas editam etc. Mas,
no meio disso tudo, com alguma dignidade, a literatura ainda pode ser aquilo
que, de certo modo, Joaquim Cardozo defendia: algo mais perto de uma forma-formante e da assombração.
Assim, um encontro entre
um Raul Bopp destemido, um provável Oswald de Andrade, um Opalka possivelmente
Roman e alguns elementos soltos – postais, reclames, fotografias, anotações, humor,
um narrador imprevisto e sem propósito que esquece muitas vezes de si e
mistura-se num outro, um Chivito uruguaio que pretende construir um Museu do Homem em Trânsito, um alemão
amigo de nome Hans, algumas cartas, uma doença, um homem que morre, uma viagem
de trem, uma viagem de navio, uma Amazônia ambivalente porque contrita e
expandida, um poema-projeto achado a esmo, o mar, o deserto etc – se faz
possível exatamente a partir do DIZER [quando dizer é fazer] de quem torce o
empenho e o nariz, é claro, para armar uma acrobacia numa montagem deliberada em
direção ao desconhecido.
É o caso do livro mais
recente de Veronica Stigger, Opisanie
Swiata, que pode ser lido tanto como um romance quanto como um remendo, um
resto de anotação ou o que sobra do gesto da viagem como literatura. Uma espécie
de tentativa de experimentar a
experiência do mundo composto nessa desopressão causada pela viagem em
torno de uma consciência animal, logo política: “mordo o que posso”, diz
Valéry. Ou uma “máquina infernal”, como sugere Jean Cocteau. Um filho, Natanael,
doente e internado num hospital, escreve ao pai e espera, ansioso e moribundo, que
o pai o visite para conhecê-lo. O pai é Opalka, um polonês circunscrito em meio
a guerra na Europa, a guerra do mundo – e a descoberta aflita de um filho no
Brasil que vive na Amazônia onde esteve no começo do século –, toma um trem,
depois um navio, e nesse traslado do deserto cruza com Bopp, um famigerado
viajante descobridor de aventuras [entre outros personagens], para entender a
própria selvageria. É sintomática a cena em que Bopp lhe estende um caderninho
preto, como presente, depois de Opalka saber sobre a morte do filho, para fazer
anotações, para que “escreva o que passou. Ajuda a superar. E a não esquecer. A
gente escreve para não esquecer. Ou para fingir que esqueceu.” e “Ou para
inventar o que esqueceu. Talvez a gente só escreva sobre o que nunca existiu.”
Esse livro de Veronica
tem a ver com a composição de seu trabalho, não apenas desde os primeiros
livros – ou do mais recente apenas publicado na Argentina, Sur –, mas também com uma tarefa crítica que atravessa alguns de
seus interesses, como por exemplo Flávio de Carvalho [que procura compor uma
deformação entre o que pode ser a imagem e a memória do corpo numa
afrontalidade com o intocável e com o não-acabado, daí A origem animal de Deus, por exemplo] e Maria Martins,
particularmente, como ela mesma ressalta, a série Amazônia [Veronica fez a curadoria da exposição de MM, no MAM-SP, em
cartaz entre julho e setembro deste ano: ‘Maria
Martins: Metamorfoses’]. Depois, ainda, seus livros traçam uma linha
modulada e pontiaguda do que vem de alguns escritores que estão entre os mais imaginativos
e inventivos no Brasil.
Penso, como exemplos, além
das narrativas de viagem próprias dos anos 1920, como bem aponta Flora Sussekind
na apresentação do livro, em alguns outros livros singulares: como Mar Paraguayo ou Meu tio Roseno, a cavalo, de
Wilson Bueno; os livros-montagem do carrasco-neutro Valêncio Xavier; José
Agrippino de Paula com seu PanAmérica;
Paulo Leminski com o retalhamento-intervenção que faz do autorretrato na série biobliográfica que compôs por todo o seu
trabalho, de Propp a Descartes, de Trótski a Narciso ou Jesus etc; a
intolerável e bem humorada viagem interior de Simplício, o personagem de A Luneta Mágica, de Joaquim Manuel de
Macedo, publicado em 1869; ou na impertinência radical entre jogo e colagem da narrativa
de Gerardo Mello Mourão, O Valete de
Espadas, escrita nos anos 1940 quando esteve preso nos porões do Estado
Novo e só publicado no final dos anos 1950. E agora, muito recente, concentrado
entre imaginação e força, como uma fadiga, o romance exausto e encantador de
Jorge Viveiros de Castro, A invenção do
amor, que cumpre um modo de operação pelo lado B dessa afasia de feira e
supermercado festivos que virou moda entre nós.
Por isso que um livro
absolutamente imaginativo e sem classificação precária como o de Veronica é, no
mínimo, um alento, porque provoca encontros imprevistos na recolha de imagens
inventadas como fantasmagorias entre o vazio da história e o que a história não
toca. Voltamos a Raul Bopp. Isto é, ao mesmo tempo, linguagem gritada e consciência
do impenetrável. Logo, nem monumento nem memória. Mas sim, como sugere Silvina
Rodrigues Lopes, quando a literatura é um móbile do “ser-com-os-outros”. Ou seja, quando essas
metamorfoses imprevisíveis podem gerar um pensamento que acontece na
contra-assinatura. Invenção de linguagens, desterritorialização e exigência de hospitalidade
que incitam à apropriação da des-apropriação, propondo uma apropriação antropofágica para a qual a ilegibilidade não se opõe
ao legível, pois, pelo contrário, suporta o infinito da leitura.
*Manoel Ricardo de Lima é poeta, professor da Escola de
Letras e do PPGMS [UNIRIO]. Publicou, entre outros, Entre percurso e vanguarda –
alguma poesia de Paulo Leminski [Annablume, ensaio, 2002] e Jogo
de Varetas [7Letras, narrativas, 2012].
Leia também a versão reduzida no Blog do jornal O Globo:
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
cleber teixeira, para elisabeth
Em 2007, fizemos um documentário sobre o Cleber Teixeira e a Noa Noa, sua editora de livros feitos em prensa manual: "Só tenho um norte:". Nada parecido com o que experimentamos naquela semana: Alexandre Veras, Demétrio Panarotto, Júlia e Manoel. E aí, um dia, Cleber nos confessou que adoraria ter nascido no Ceará. Num dia seguinte, já trabalhava muito pouco, fez isso para nós rapidamente na prensa num papel de esboço, assinou e nos deu de presente. Perdemos o Cleber neste ano de 2013, mas ele [com sua delicadeza afetiva radical e seu trabalho] continua fazendo mais do que nunca todo o sentido para o quanto pode ser a vida se levada com algum amor e afetos sinceros.
Assinar:
Postagens (Atom)








