segunda-feira, 30 de maio de 2011
sexta-feira, 27 de maio de 2011
jornal público, lisboa
Jornal Público_Lisboa_27_maio_2011
"A 'enciclopédia' de Gonçalo M. Tavares em
nova edição acrescida de um valioso caderno
de Júlia Studart"
quarta-feira, 25 de maio de 2011
quinta-feira, 19 de maio de 2011
antonio bandeira,
A Antônio Bandeira
Que tua mão certeira
encontre a cada dia
essa fina alegria
de reinventar o mundo,
tornando-o mais profundo,
mais claro e vaporoso.
Há no espaço gracioso
em que teu sonho move
e liberta e comove
a essência dos objetos,
não sei que ultra-secretos
enigmas e doçuras.
Bandeira, são as puras
raízes da tua arte.
Com ela, em tôda parte
descobrirás aquilo
que teu olhar tranquilo
vai sempre transformando
(amar se aprende amando).
Modelador de brumas,
formas raras. Espumas,
unindo a fantasia
a uma abstrata beleza.
- Seja-te o ano propício,
e a esse teu nobre ofício.
Carlos Drummond de Andrade
terça-feira, 3 de maio de 2011
segunda-feira, 11 de abril de 2011
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Quatro poetas, lugar nenhum
Revista Inteligência [Rio de Janeiro, Abril/2011]
Ludwig Binswanger escreve a Freud em 1921 acerca do estado de um paciente raro internado em sua clínica e declara que não é possível fazê-lo voltar a exercer suas atividades de pesquisa naquele momento. Anota nessa carta que é uma pena que seu paciente não possa “voltar a fazer uso de seu gigantesco patrimônio de conhecimentos e de sua imensa biblioteca”. O paciente é Aby Warburg, que sofria de depressão e variações de esquizofrenia. Lembrem: Warburg refaz todo o pensamento em torno da imagem no começo do século XX e, na clínica, como lugar de tensão e afeto, oferece aos outros pacientes a sua célebre conferência intitulada “O ritual da serpente”. Internado, Warburg escreve no p.s. de uma carta aos diretores da clínica que sua doença é a perda da capacidade de conectar as coisas com suas mais simples relações causais, tanto as coisas do espírito como as coisas supostamente concretas.
É talvez essa imprecisão da linguagem que está posta em xeque, como proposta, às quatro poetas que ora apresento nesta edição de Inteligência: Annita Costa Malufe, Júlia Studart, Marília Garcia e Valeska de Aguirre. A provocação é tomar o senso do lugar, como um afecção, e, ao mesmo tempo, como interrogativa para conectá-lo a um suposto possível: o poema como um campo sem limites para a experiência da imaginação. Uma proposição entre borda e borda, entre eixo e beira, beira e móbil ininterrupto, para reler esse tempo agora com toda a sua imprecisão imanente. Tempo que não comporta mais a figuração moderna do labirinto, nem muito menos a figuração do lugar como uma representação da crise das utopias. Mas, com Aby Warburg, esticar a temporalidade da imagem à sua própria subtração [o que vai de Plínio, o Velho, até Didi-Huberman, sempre numa perspectiva do “anachronisme”] e à sua transparência, modulação, falta etc. Mais ou menos com aquilo que a letra provoca, disse Lacan: “um furo na borda do saber.”
É importante que quatro poemas de quatro poetas tão diferentes se deem a ver assim, como um furo de pensamento em seus próprios bons trabalhos, o de cada uma delas e no de cada outra. Ao mesmo tempo, também, considero importante que a armadilha da proposição – dando voltas sobre uma ideia de lugar – lance esses poemas para mais perto de um além do moderno, mais perto de uma luta política das imagens. Penso nos trabalhos dessas 4 poetas como uma linha desestabilizada, como um território desfeito continuamente, um território tenso e afetivo que se desfaz todas as vezes em que vai se ajustar a algo; trabalhos que têm como projeto, me parece, cutucar a conexão das coisas com suas relações mais simples e dar a elas a insegurança da imaginação. Assim, lembro a bonita imagem de uma das personagens do documentário de Alexandre Veras feito para o DOCTV, intitulado Vilas Volantes – o verbo contra o vento: quando um velho pescador da região norte do Ceará, próximo a Jericoacoara, a câmera em suas costas, aponta para as dunas que não param de se mover e diz que ali, naquele ponto, onde antes havia uma cidadezinha, as dunas vieram com tanta fome e força que comeram tudo, tudo, que “não ficou nem o lugar”. E Isso é apenas um convite para a leitura desses quatro poemas, um convite para conhecer algo do trabalho dessas quatro poetas.
Manoel Ricardo de Lima
Leia aqui os poemas: http://www.insightnet.com.br/inteligencia/52/PDFs/10.pdf
Ludwig Binswanger escreve a Freud em 1921 acerca do estado de um paciente raro internado em sua clínica e declara que não é possível fazê-lo voltar a exercer suas atividades de pesquisa naquele momento. Anota nessa carta que é uma pena que seu paciente não possa “voltar a fazer uso de seu gigantesco patrimônio de conhecimentos e de sua imensa biblioteca”. O paciente é Aby Warburg, que sofria de depressão e variações de esquizofrenia. Lembrem: Warburg refaz todo o pensamento em torno da imagem no começo do século XX e, na clínica, como lugar de tensão e afeto, oferece aos outros pacientes a sua célebre conferência intitulada “O ritual da serpente”. Internado, Warburg escreve no p.s. de uma carta aos diretores da clínica que sua doença é a perda da capacidade de conectar as coisas com suas mais simples relações causais, tanto as coisas do espírito como as coisas supostamente concretas.
É talvez essa imprecisão da linguagem que está posta em xeque, como proposta, às quatro poetas que ora apresento nesta edição de Inteligência: Annita Costa Malufe, Júlia Studart, Marília Garcia e Valeska de Aguirre. A provocação é tomar o senso do lugar, como um afecção, e, ao mesmo tempo, como interrogativa para conectá-lo a um suposto possível: o poema como um campo sem limites para a experiência da imaginação. Uma proposição entre borda e borda, entre eixo e beira, beira e móbil ininterrupto, para reler esse tempo agora com toda a sua imprecisão imanente. Tempo que não comporta mais a figuração moderna do labirinto, nem muito menos a figuração do lugar como uma representação da crise das utopias. Mas, com Aby Warburg, esticar a temporalidade da imagem à sua própria subtração [o que vai de Plínio, o Velho, até Didi-Huberman, sempre numa perspectiva do “anachronisme”] e à sua transparência, modulação, falta etc. Mais ou menos com aquilo que a letra provoca, disse Lacan: “um furo na borda do saber.”
É importante que quatro poemas de quatro poetas tão diferentes se deem a ver assim, como um furo de pensamento em seus próprios bons trabalhos, o de cada uma delas e no de cada outra. Ao mesmo tempo, também, considero importante que a armadilha da proposição – dando voltas sobre uma ideia de lugar – lance esses poemas para mais perto de um além do moderno, mais perto de uma luta política das imagens. Penso nos trabalhos dessas 4 poetas como uma linha desestabilizada, como um território desfeito continuamente, um território tenso e afetivo que se desfaz todas as vezes em que vai se ajustar a algo; trabalhos que têm como projeto, me parece, cutucar a conexão das coisas com suas relações mais simples e dar a elas a insegurança da imaginação. Assim, lembro a bonita imagem de uma das personagens do documentário de Alexandre Veras feito para o DOCTV, intitulado Vilas Volantes – o verbo contra o vento: quando um velho pescador da região norte do Ceará, próximo a Jericoacoara, a câmera em suas costas, aponta para as dunas que não param de se mover e diz que ali, naquele ponto, onde antes havia uma cidadezinha, as dunas vieram com tanta fome e força que comeram tudo, tudo, que “não ficou nem o lugar”. E Isso é apenas um convite para a leitura desses quatro poemas, um convite para conhecer algo do trabalho dessas quatro poetas.
Manoel Ricardo de Lima
Leia aqui os poemas: http://www.insightnet.com.br/inteligencia/52/PDFs/10.pdf
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