segunda-feira, 22 de novembro de 2010

jeremias,

Jeremias Ricardo de Lima
[14.06.1917 - 22.11.2010]

soul blues

à noite
sempre
após torradas
biscoitos
sai

estica
um pouco
as canelas

longevo
lento

o olhar
curvo
para baixo

a cidade pequena
silêncio

um lado
outro
talvez pense
:
a vida é tanto

e
cataloga
estrelas

em Embrulho, 2000
..........................

o quadrado branco, futebol

ele não liga mais a tv. a cabeça baixa, os olhos vincados no chão e uma poça de água. nem conta os ladrilhos nem dorme. nem de longe um gole de café uma torrada uma xícara de chá de alfazema ou capim santo. andar a calçada é por onde não pensa. tudo é perigo no corpo. tudo tem risco demais

manter o portão da frente fechado evita que os mosquitos e a chuva entrem pela janela. quando é o dia que a chuva vem? quando é que o amigo mais velho volta?

estas coisas, antes, de algum jeito, deixavam a vida de lado. um instante e outro, tudo muito sozinho. todos os dias não liga mais a tv e repara que ao fazer a barba não vê seu rosto, que as mãos não se movem direito

em Quando todos os acidentes acontecem, 2009

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

carlos h. schroeder,


As certezas e as palavras, de Carlos H. Schroeder
Primeiro lugar no Prêmio Clarice Lispector, categoria
Conto, da Biblioteca Nacional. A Editora da Casa, o
grande Carlos e toda palavra com porrada merecem.

Trecho do prefácio intitulado Pliè, ou um prefácio:

"este conjunto de narrativas de Carlos Henrique Schroeder, também por causa do título – As certezas e as palavras –, me remete a um trabalho de um artista visual português chamado João Onofre, intitulado Pas d’action: João reúne uma série de bailarinos na frente de uma câmera e pede a todos eles que façam um plié durante o tempo que conseguirem manter a posição. Um plié é aquele movimento de equilíbrio sobre a ponta da sapatilha, com os braços para o alto, em curva, e os joelhos flexionados. Diz-se que no balé clássico tudo deriva do plié, que é uma espécie de movimento de ponto de partida. O fato é que no trabalho de João os bailarinos caem um a um na frente da câmera até o último, que cai quatro minutos depois; é o fim da resistência do músculo, da ação, que começa agora vazia e na frente da câmera só há a queda. O movimento passa a ser aquilo-que-não. Este conjunto de Carlos me parece ser um pouco este pas d’action, nenhuma certeza a cada palavra nua, nenhuma palavra a cada ausência de qualquer coisa, como “o desejo de uma vida em branco”. Assim, refestele a mão e o olho com cada frase aqui como se também cada uma delas fosse sua, minha ou de ninguém. Carlos nos cede este lugar incerto, este, o de suas narrativas famintas.      [Manoel Ricardo de Lima]

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

suplemento literário de minas gerais,


Edição especial, Animais escritos - Set/Out 2010 [n. 1.332]
Organização Maria Esther Maciel

a pele do coelho sem o coelho dentro
com nuno ramos
 
um,
com a mão coberta de pelo
e porra e a porta do banheiro
de uma estação de trem
em roma completamente
aberta:
um rato pálido e exposto
arrasta um colar azul de
miçangas hindus, uma
nota de dez e um esboço
de oração no meio do campo
marzio, alguém grita duas
vezes que o começo arranca
a pele das coisas, que agora
andamos por aí sem
amor, depois
grita outra vez quando
sobra apenas a pelanca de
tudo, quando o que sobra
é apenas pelanca ou uma
situação deserta como
esta, perder o binário
e mentir para salvar a
própria pele

dois,
fixo e estatelado no
chão, cuspe borrado entre
café e fumo, uma garatuja
da morte: não era mais
uma pele, disse o rato. era
o que, então, talvez se
pergunte aquele inseto
robô que viaja na gola
puída do japonês, fotógrafo
insistente, que enfia o pé
na porta quase fechada
do banheiro de uma
estação de trem em
roma. o inseto robô ri
e explode

manoel ricardo de lima

ver edição completa:
http://www.cultura.mg.gov.br/arquivos/SuplementoLiterario/File/1332.pdf

sábado, 30 de outubro de 2010

quando todos os acidentes acontecem, o filme


meu mestre, alexandre veras, com quem aprendo arqueria e vida. e a quem devo o convite para escrever com ele o roteiro que leva o título de meu último livro de poemas. obrigado, sempre. e também a afetiva e sabida parceria de todo mundo da alumbramento.

DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO-SEÇÃO 1-Nº 207, quinta-feira, 28 de outubro de 2010
SECRETARIA DO AUDIOVISUAL PORTARIA No- 154, DE 27 DE OUTUBRO DE 2010

A SECRETÁRIA DO AUDIOVISUAL - SUBSTITUTA, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto na Portaria nº 47 de 28 de dezembro de 2009, publicada no Diário Oficial da União de 29 de dezembro de 2009, Seção 1, pág. 17, bem como no Edital de CONCURSO DE APOIO À PRODUÇÃO DE OBRAS CINEMATOGRÁFICAS INÉDITAS, DE LONGA METRAGEM, DE FICÇÃO, DE BAIXO ORÇAMENTO nº 02, de 29 de janeiro de 2010, publicado no DOU de 01 de fevereiro de 2010, Seção 3, págs. 15 e 16, resolve: Art. 1°. Homologar os projetos SELECIONADOS, pela Comissão Julgadora nomeada pela Portaria nº 91, de 22 de junho de 2010, publicada no Diário Oficial da União de 24 de junho de 2010, conforme relação abaixo, para fins de contratação e pagamento do apoio. Art. 2º. Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.
[Ana Paula Santana]

Projetos Selecionados para Recebimento do Apoio
Inscrição Projeto Proponente UF Região Categoria
*A Floresta de Jonathas - Sérgio J de Andrade AM Norte Estreante
*A História da Eternidade- AC Cavalcante Serviços Ltda PE Nordeste Estreante
*De Menor - Tangerina Entretenimento Ltda SP Sudeste Não Estreante
*Depois da Chuva - Coisa de Cinema - Cinema e Video Ltda BA Nordeste Estreante
*O Lobo Atrás da Porta - Gullane Entretenimento S.A SP Sudeste Estreante
*Quando Todos os Acidentes Acontecem - Alumbramento Produções Cinematográficas Ltda CE Nordeste Estreante
*Sobre Ruínas - El Desierto Filmes Ltda RJ Sudeste Não Estreante

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

zeca,


Letícia e Rodrigo nos emprestam
sempre esse pequeno amuleto de
sorte e amor: quase Humphrey
Bogart. E assim, nos mudamos.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

revista Cult, n. 151


BREVES NOTAS
de Gonçalo M. Tavares
Apresentação de Júlia Studart
Editora UFSC e Editora da Casa
344 págs. – 81 reais

Até agora, não são muitos os livros do angolano-portugês Gonçalo M. Tavares (1970) editados no Brasil. Aqui se tem, portanto, a oportunidade de se começar a adentrar no universo deste que é um dos nomes comemorados da literatura portuguesa atual, já vencedor de três prêmios importantes de nossa língua, como por exemplo o Portugal Telecom (2007). As Breves notas são compostas por três volumes, originalmente editados em separado, mas aqui reunidos, belamente, em uma pequena caixa: Breves notas sobre ciência, Breves notas sobre o medo, Breves notas sobre as ligações, e, ainda, um quarto caderno com ensaio da pesquisadora de sua obra Júlia Studart. E são breves notas mesmo, com caráter de anotações rápidas, para serem lidas na ordem em que se quiser; mas a brevidade ou a aparente contingência dessas notas não significa, de modo algum, que seriam descartáveis ou desprovidas de densidade e sentido. Oscilando entre o humor, a ironia e o tom mais lírico, por vezes mais elevado, Gonçalo constrói pequenas coleções de aforismos poéticos, agitados por uma comprometida reflexão existencial, ainda (ou sobretudo) quando nos faz rir – tarefa em que reconheceríamos ecos de um certo aprendizado nietzschiano. 

por Annita Costa Malufe

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

manuel bandeira,


"E por que essa condenação da piada, como
se a vida só fosse feita de momentos graves?"

[Itinerário de Pasárgada]